17/12/2010

Visita




Recebi uma velha conhecida hoje. Tocou a campainha, após dois leves toques na porta, e ouvi ruídos de um leve saculejo de pés em meu tapete antes de entrar em minha casa. Desci correndo as escadas, ainda com a cabeça meio molhada e cabelo despenteado. Não esperava visitas. Em minha mente era apenas um porteiro que vinha entregar as correspondências ou me comunicar de algum serviço novo no prédio. Mas me enganei. Era a minha velha dor. Chegando assim, como quem não quer nada, pra depois vir me invadir, molestar e dilacerar essas minhas noites, até então, tão bem dormidas. Sentamos, tomamos um chá, e ficamos naquele papo relembrando os acontecimentos. No vai e vem dessas suas novidades, resolveu lembrar-me da época que vivíamos coladas uma com a outra. Desculpou-se pela distração que teve, por dentre visitas à outras pessoas, e algumas mudanças de planos. Comemorei por dentro esse ocorrido. Mas agora, me via sem saída. E será que ela vai dormir aqui? Por quanto tempo vai ficar? O que posso fazer? Me enchi de perguntas questionadoras, mas a questão, é que queria muito sua presença bem longe da minha vida outra vez. Nada podia fazer agora. Expulsá-la seria uma ótima alternativa, mas um passo a frente pra que retornasse com maior intensidade ainda, em plena vingança. Se dor não é bom, imagina uma dor proveniente de uma vingança. Dessa vez, ela veio apenas me relembrar dessas minhas épocas dolorosas. A dor vinda, por ainda haver sim, pessoas que não te dão valor. Como posso ficar bem, se até a dor lembra de mim, enquanto muitos por aí, tão considerados por mim, não lembram? E as coisas são assim. Um dia a gente se perde, noutro de encontra. Em um dia a gente se ver sem caminho, no outro se acha, e por aí vai. Mas e quando a gente não acha nossos alicerces? Não queria que essa minha base fosse na dor, porque tenho certeza que não é só isso que me cabe. Mas enquanto me encho dessa certeza digna de reconhecimento por dentro, a realidade só me mostra que estou errada. Nem todos vão lembrar de ti, ou melhor, nem todos que você quer, vão lembrar. Vão te trocar, por qualquer desconhecido, que tenha alguma coisa interessante e engraçada. Um papo menos cabuloso, cheio de piadinhas infantis e uma personalidade que talvez te decepcione, tempos mais tarde. Sou uma dessas que rebece um semi-desconhecido que vem me bater na porta, não tenho opção melhor mesmo. Tenho que aceitar uma realidade, ainda que não queria que fosse esta a que me coubesse. Mas fazer o que? Ainda bem, que meus dias nela estão contados. Mudança prevalece em minha vida, e Deus ainda roga pro bom rumo que ela pode tomar. Pelo menos aparentemente. Acho que essa minha dor, que veio me importunar assim, por mero acaso, veio cumprir obrigação, fazer com que eu aceite melhor a mudança que minha vida vai ser daqui a uns meses, e mostrar que é isso o que é certo, honrado pra mim. De toda essa minha confusão, tiro só aquela velha conclusão, de que há males que vem para o bem. Que às vezes te afunda a cara no poço, pra você aprender a dar valor naquilo que lhe cabe. Pra te mostrar, o quão bom eram as coisas e você não soube valorizá-las, ou apenas pra sinalizar, que coisas melhores estão por vir. Resolvi acolher a dor, como sempre fiz, acolhendo todos aqueles que me apareceram. Mas apenas por essa noite reflexiva. Amanhã virá outro dia, e espero a visita de outro sentimento agora, capaz de superá-la e decretar o fim, desse meu dia aos troncos.

3 comentários:

  1. É guria, acho que passa, viu. É dar tempo ao tempo pras respostas certas chegarem. Toda sorte do mundo pra senhorita! Um beijão

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  2. É o que dizem...algumas dores nso trazem aprendizados não é? mas como o processo é longo...
    ...olha, a cada vez me identifico mais com seus escritos! parabens!

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  3. Muito bom ter você aqui no meu Blog sendo meu Seguidor, eu também estou seguindo você, ok?
    Natal chegando hein?
    Pois é....
    Muita expectativa...
    Você e eu sabemos que quando Jesus nasceu, muitos esperavam um rei. E um Rei nasceu. Mas não para todos, apenas para aqueles que tinham o coração puro o bastante para saber olhar além das aparências.
    Aqueles que esperavam um rei que nasceria num palácio, num berço de ouro e se tornaria o Salvador da humanidade esperam até os dias de hoje.
    Não souberam dar valor, porque suas expectativas foram contrariadas, porque não souberam ver com os olhos da alma, porque só conseguiram ver um menino que tinha por berço uma manjedoura e por teto o céu estrelado.
    E esse mesmo menino, nascido de forma tão simples e pura, andou entre doutores e mestres e ensinou a eles, pregou o amor e deixou mensagem da paz como herança para o mundo e carregou uma cruz que não lhe pertencia. Sua coroa não foi de ouro e seus diamantes eram espinhos. Mas apesar de tudo, Ele foi e é o Rei acima de todos os reis.
    A embalagem engana muitas vezes. Ela cria expectativas. O importante mesmo é o que vem dentro e é o coração de quem pegou do seu precioso tempo alguns momentos para pensar em nós.
    Portanto, se a vida te oferecer algo diferente, preste um pouco mais atenção ao que recebe. Não é sábio ficar esperando algo mais e se esquecer do que se tem nas mãos. A esperança faz viver, mas dar valor ao que se tem constrói a Vida.
    Feliz Natal!
    Que Cristo esteja todos os dias o tema central das nossas conversas e emoções, a melodia da nossa canção, no decorrer do ano em nossas vidas!
    Beijos no coração

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