06/01/2011

Um novo olhar



Como quem sai numa sexta-feira e só chega no domingo pela noite, planejei uma fuga, um escapamento de tudo o que me rodeava, de todas aquelas verdades já tão batidas. Minha fome de coisas novas, e lugares desconhecidos, bateu na porta, e me convidou pra essa aventura. Eu, que ja me dou por essas situação inovadoras e uma pitada, sempre presente de impulsividade, aceitei. Aliás, o vislumbre mais cobiçado por mim, era ver quem iria sentir minha falta, já que, tão poucos estavam a notá-la, nos lugares mais típicos que costumava habitar. Viajei, e como quem sai do seu mundo, sem deixar um bilhete assinado ou um breve 'até logo', do outro lado da calçada, fui, quase imperceptivelmente. A caminho de dias melhores, ou apenas de um colo, um afeto de parentes que nas minhas diminutas esperanças, ao mínimo lhe cabiam um pouco de saudades minhas, ou qualquer outro sentimento benéfico em relação a mim. Em apenas alguns dias, recebi algumas ligações, até chegar a tão esperada virada do ano, e embora quisesse estar de volta em casa, tive que aceitar, complacente, algumas restrições. Já não bastaram alguns dias, e minha vontade de voltar estava cada vez maior. Mesmo que eu voltasse pro meu cantinho, por poucos habtado, eu queria estar lá de volta, na minha realidade, rotina, amores, meu típicos abraços. Como um coelhinho, que almeija encontrar sua toca, o aconchego do colo de mãe. Queria voltar a dar bom dia pro porteiro do prédio, queria até, ir pra àquela aula de inglês que me parecia tão torturante, épocas atrás. Como quem já leu Marilyn Monroe, concordo quando ela diz, que nós não precisamos de ninguém que não queira estar conosco. E é verdade. Mas agora que essas questões tão dilacerantes já cumpriram seu papel de me atormentar e todos os meus abusos rotinas já deram no pé, vejo uma possibilidade de retorno à rotina que me foi concebida. Nessa minha nova experiência, aprendi e conheci, pessoas que tem poucas chances de mudar os alicerces, quando a vida resolve jogar os dados, mudar a direção dos ventos, e deslocar aquela manivela pra um lugar diferente do planejado. Aprendi a olhar com sensibilidade a vida dessas pessoas, e ser grata, pela minha e pelas pessoas que ainda tenho nela. Se antes, vim aqui me queixando dos poucos que se importavam comigo, hoje volto, com a gratidão por ainda ter esses, que mesmo não tendo um número grande de massa, sei que estarão comigo, sempre que eu precisar.

4 comentários:

  1. Fugir, mudar de direção..
    as vezes eu preciso tanto disso.

    Mas penso que não seria a melhor solução!

    ResponderExcluir
  2. Acho que depende da forma que cada um ver né. Eu procuro sempre ver as coisas de uma forma positiva, tudo sendo um aprendizado sabe? E pra mim, o tempo pode até não curar as coisas, mas com ele, a gente passa a se ocupar com outras coisas, as quais serão o centro das atenções.
    Mas foi bom saber sua opinião! Beijão.

    ResponderExcluir
  3. Flor, aqui é tão leve que dá vontade de não ir embora. Amei os textos!

    Beijos!

    ResponderExcluir
  4. Sempre existem aqueles que nso consideram essenciais, que sempre estarão conosco e é tão bom sentir isso! Gostei viu, mais um texto inteligente e bom de se ler!

    ResponderExcluir

O que achou do post?

GAROTA DA BOSSA
ALL RIGHTS RESERVED 2014 ©
feito por Madu Negrini