21/02/2011

Ao próximo capítulo



E pra onde vai isso tudo? O sentimento de está naufragando sobre águas vazias, sentimentos superficiais, mal correspondidos, uma trajeto mal feito. Não sei pra onde estou indo agora, que rumo esses mares estão tomando, pra que ilha deserta o coração busca. Procuro me afogar em meio a complacência e esquecer um pouco esses infortunados que me perseguem, me equilibrar, continuar remando por mares abertos, mesmo que sem rumo. Essas cartas que a vida nos apresenta, que mal sabia de sua existência, capaz de transformar o jogo, mudar o rumo e nos apresentar o novo vencedor. Perdi a mala que carregava nas costas por todos os lugares na qual me destinava, me arriscava a conhecer. Esses que a gente entra de cara, sem pensar direito no que faz, arrisca somente. Foi numa dessas minhas profundas arriscadas, de mar aberto, que me veio a tempestade, e hoje estou em um lugar que mal consigo denominar. Ao longe, vejo uma praia deserta, na qual, aos poucos, vou parando, velocidade zero. Desço, na solidão de um bosque, e fico no repouso de um tronco de árvore, retorcido, e a pensar. Sedenta de situações conflituantes sem-pé-nem-cabeça, celada nessa escuridão aqui dentro, que tanto persiste. Como se toda aquela fase de apogeu das gerações românticas, me deixasse naufragar, e aquele sentimento de mal do século, misturado com os pessimismos que a vida nos trás de vez em quando, resolvesse me bater a porta. Mala trocada. Mala de sorte perdida por dentre esse mar, que agora, eu mal tenho coragem de arriscar. Prefiro ficar no meu cantinho, com a voz baixa, e coração pouco acelerado. Extirpação não está pro meu bico agora. Acho até difícil restituir todas as partes, as roupas perdidas, sentimentos, que ficaram por aí, espalhados, perdidos. Resolvo escalar uma montanha íngreme, no auge da solidão, que nem almas desertas tive a sorte de encontrar, nada. A linha que desenhava pra me inspirar, agora decaída, pontilhada, ou mesmo sumida. Dela mesmo só se ver o rastro, a sombra de uma época em que nada abalava, ego meio inflado, e uma auto-confiança perdurante, tempos atrás. Deitada na terra recém-descoberta, percebo rente ao chão, as maravilhas que o mundo tem, essas picuinhas que a gente leva na vida, cicatrizes só são pra mostrar o quanto nós já fomos fortes, suportamos. Quem encontrar o pote mágico pra curar toda essa mágoa, por favor, avise, espalhe essa púpuria que tanto falta aqui dentro, o caminho mais curto pra felicidade. Necessidade de me reinventar, e deixar nova flor brotar, lavar a alma, e me preparar pro próximo capítulo.

2 comentários:

  1. Que lindo! Vc escreve com a alma!

    Bjs meus!

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  2. É no capítulo seguinte, com tanta felicidade no bolso, na mente, em nós, que a gente fica realmente em branco. Boa sorte!
    Um beijo

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