23/03/2011

Norteada ao horizonte



Mergulhada na complacência desses meus dias, me pego analisando as tantas oportunidades que perdi pelo medo de arriscar, de jogar tudo pro alto e correr para o pôr-do-sol, no medo incessante de abraçar o mundo, embora vontades não me faltassem. Menina de brilho nos olhos, que ver o mundo com determinada púpura, mas que se contém, se retém, sempre com os pés no chão. Um passo atrás, uma vontade de recuar prevalecendo, algum aviso precipitado que lhe era cabível, porém, mais uma vez, suas vontades eram oprimidas, ofuscadas pela vontade maior que era manter as coisas estabilizadas, estruturadas, no receio de criar algum provável arranhão no prédio recém-contruído. Talvez por zelo, talvez por medo. Até então, não prestava muita atenção nesses receios que carregava consigo, até perceber que o mundo não iria parar pra que ela se decidisse, tomasse uma decisão. Percebeu que ficar na beira do riacho, na vontade de se molhar, se jogar, ganhar o almeijando o horizonte, era apenas utopia perto da realidade que ela queria tomar como base. Sempre se contentando com a mesmice, se relutando por dentro pra manter seu mundinho aparentemente bem, algumas ruídas de unhas, e tudo bem, continuava ali, parada. Enquanto as pessoas circundantes já tinham tido desventura suficiente pra mudar as coisas de lugar, mudado de caminho, mas o seu continuava o mesmo, sempre remando pro mesmo trajeto conhecido, no medo de arriscar, enfrentar novos perigos, desconhecidos até então. E foi pela decisão alheia que começou a observar com maior minúcia que apenas os restos lhe eram concebíveis, ossos da vida. Trocada, como criança que deixa a boneca pela maquiagem, um dia de compras no shopping e uma baladinha até as 22 horas. Como de costume, o destino resolve dar seus empurrões, mudar as cartas, lhe encorajar. Lhe ensinar a desvendar, tomar decisões, a desfazer o pergaminho, ir atrás do tão sonhado tesouro. Aprendeu que para se colocar novos sucos, é preciso em primeiro lugar, esvaziar o copo, aprender a viver sem os alicerces, andar por si só. Sem viver na esperança de mais um dia, mais uma ligação rotineira, atitudes previsíveis, robóticas. E hoje, ela ver, que o mais importante de tudo foi sua desistência daquele mundo que carregava nas costas. E aqui está, novinha em folha, com astúcia suficiente pra encarar todos as caças e oportunidades que a vida lhe oferecer, nesse novo capítulo.

3 comentários:

  1. recomeçar, reviver, renovar...lindo texto, menina!
    Bom nos sentirmos assim após uma reflexão! bjs

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  2. Nossa, você escreve muito bem.
    Mudar, viver, sorrir são coisas simples mais que nos complicamos tanto. Belas palavras, estou te seguindo, passa no meu depois :D

    lelyanjos.blogspot.com

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  3. Um lindo recomeço, ainda mais quando a vida nos presenteia com tal felicidade. Essa coisa de esvaziar o copo me lembrou total o Caio, quando diz que temos que esvaziar a xícara. Tem lido el demais hein! Hahahahaha
    Beijo!

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