11/06/2011

Impregnada

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Me deparo assim, sensível novamente. Na calamidade de uma amargura perdurante, de momentos vividos e lembranças que nunca se vão. E retorno ao meu canto, com o coração de quem já muito lutou e pouco recebeu em troca. Dessas coisas que vão e nunca voltam a ser como antes, dessas coisas que deveriam ir e nunca se esvaidessem, permanecem pairando no ar e nos meus pensamentos. Repito, mas que pelas minhas repetições, o desfecho de um pensamento mais digno de reconhecimento não se concretiza, não basta. E fico a mercê da mesma situação emergente na qual o outono me submeteu. Meio frivíolo, arrancou as páginas do livro que eu tanto gostava de ler, levou embora as folhas que agora não posso mais restituir. O inverno logo dará as caras, e nele se vem também a camuflagem de novos tons, esses mais escuros. Mas me renego a deixar penetrar. Me renego, mas de que adianto se tem se essas minhas tentativas nunca tem o desfecho esperado. A espera já não aguenta, não suporta, a tentativa cessa, tudo parado. Nada muda, nada vem e nada vai. As coisas continuam exatamente iguais aqui dentro, desde o momento em que você foi capaz de sair e ter coragem de se perpetuar nessa sua nova rotina que não engloba esse meus dentinhos pequenos e meu jeito de te olhar. Passados para trás, incapaz de assegurar destino e sonhos que tanto rasbico na imaginação, sempre a procura de perpetuar o melhor possível pra nós. Mundo paralelo esse meu, de ainda crer nessas possíveis coincidências da vida, tão rara. De te encontrar no meu beco sem saída, na qual você me abriga nesse teu peito que só quer me amar e deixar o sentimento brotar no meio dessa discórdia que nos é cabível. E me mostro assim, ingênua aos olhos de quem pouco acredita nesses desfechos. Mas confesso que ir sempre de encontro a esses meus sonhos e se sentir carta fora do baralho não é destino plausível de merecimento. Essa minha crença e descrença que altera feito roda-gigante, acelerando e freando com uma intensidade capaz de desenvolver nos meus dias uma proteção fortíssima à essas ilusões tão atrativas, e que noutros dias, se retraem e me devolvem o ar de crença nesses finais felizes. Na demora, e na espera contínua, a gente vai enfim, se cansando da utopia. E eu que agora tenho me tornado menos adepta a seguir esse meu afeto por você impregnado na alma, procuro apenas apaziguar o sentimento. Na mansidão de alguém que só quer se tornar expectador nesse jogo de vai-e-vem e que não espera mais nenhum retruque do destino.

Um comentário:

  1. Parabéns guria, pelo jeito leve e doce com o qual tu escreve. Tuas palavras realmente são muito bonitas. Beijinhos

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