18/09/2011

Congestionada



Todos têm uma caixinha na memória que de vez em quando volta a sondar nossa vida, interromper o dia que mal consegue atravessar, preso nas memórias que carrega. E tem meses que são assim (quando não são os anos que se sucedem) mostrando que não conseguimos superar aquelas desavenças do passado. E sempre volta, volta os medos, volta as lembranças, os mesmos sentimentos. Descobri que o lugar e as pessoas não exercem influência sobre o aparecimento dessas memórias. O próprio mundo, independentemente do local que esteja vai te trazendo os resquícios demolidos pela tempestade que dentro de cada um ainda possui os seus vestígios. E a gente, apesar de superar, de seguir em frente, de querer conquistar coisas melhores, nunca esquece daquilo que realmente amou. As marcas daquilo que nem sempre eram o melhor para nós, mas que nos prendia, que nos viciava. Não adianta sonegar o coração fingindo que não te amei quando na verdade sei do sentimento que nutria. Não dá pra negar o coração dizendo que já te esqueci quando isso ainda não foi feito. Engano os outros, passo por cima, mas não esqueço. Mulher tem mania de se mostrar durona, mas por dentro nem sempre está bem consigo mesma. Do sentimento que cultivava, um pedaço teu veio, ficou e marcou. Aqui, estampado no peito, dilacerando sempre que me ocorrem essas memórias. Todo dia vou dormir com uns 5 livros na mão, e já tentei estudar de tudo, me infiltrar em novas coisas, mas até na dificuldade que encontro pela frente, lembro de você. Porque queria você aqui, mãos dadas, pés firmes no chão, ajudando a superar. Ironia é saber que queria você aqui também pra ajudar a superar as nossas próprias lembranças. Porque uma pessoa pode ser totalmente esmagada nesses intervalos que o cupido não a atinge. E a gente se engana quando acha que supera essas coisas rapidinho. Aparece alguém e a gente inventa uma coisa que na verdade não existe apenas porque não aguenta o fato de ficar só. O incrível disso tudo, é que apesar da minha mania defeituosa de me sentir só no meio da multidão, de querer sempre uma companhia mais próxima, um braço direito, tenho aprendido a querer ficar mais assim, mergulhada no meu próprio mundo, querendo o meu próprio bem. Porque eu, apesar dessa guilhotina toda que carrego aqui dentro, sei que isso é uma questão mais interna do que externa. O conflito é dentro, e nesse aspecto só o tempo talvez seja capaz de me estender a mão e auxiliar. O danado do coração não peca em parar de traquinar, tilintando sempre o que eu almejo que saia logo aqui de dentro, descongestione e que me deixe seguir em frente.

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