12/03/2012

Metamorfose


Antigamente, ela era piegas demais. Lia as escrituras romanticas sonhando em um dia receber uma proclamação daquelas só pra si. Mas como diziam os céticos, a vida é muito dura pra acreditar sempre em contos de fadas. Depois de alguns transtornos nesse ramo, ficou menos submissa a esses sentimentos, mais ilesa às suas reações. Não por esforço, mas a vida sempre lhe ensinava que nos tempos atuais, os sentimentos não ousam mais atiçar todas as viceras de alguém, passam superficialmente, tangendo, quando na verdade, eram pra tocar até a alma. A gente aceita as circunstâncias, afinal, os impecilhos so tendem a crescer, ainda mais se você tiver uma vida que gira acompanhando uma montanha russa, provando que momentos bons e ruins fazem parte de um mesmo ciclo. Depois, tiramos ensinamentos dessas experiências falhas, e aplicamos em nossa vida. Mas apesar de toda essa aspereza que carregou, esse fortalecimento interno que ela chama de ''parte mais íntegra'' da sua vida, ela ainda estremece ao ler essas frases de amor bonitas e não lembrar do quanto essas coisas costumavam lhe tocar. Ainda tocam, porque pelo visto, derramar algumas lágrimas quer dizer que recupera momentos que fizeram parte de sua vida, já que, basta o resto da lembrança pra recuperarmos toda a memória. A gente percebe que as coisas mudaram quando não sabemos muita coisa da vida de alguém que um dia já foi tudo no nosso mundo, ou quando vemos algo com olhos de alguém já mais amadurecida, mais racional. As vezes, ela tem mania de controlar as emoções pensando com a razão, e daí se lembra, do quanto lutava pra que pessoas próximas não aderissem esse processo, hoje, aqui estás, nesse mesmo barco. A verdade, é que não sobrou muita coisa no seu coração, e que talvez, não seria o suficiente pra alguém levar o que resta e ficar assim, gostando sozinho. Quando a gente ainda não consegue juntar os pedaços e restituir as partes desgastadas, é muito difícil, por mais belas que sejam as experiências, voltar aos trilhos antes tracejados. As lamúrias lhe acompanham, enquanto não acha uma nova direção, se fecha nesse mundo na qual só cabe ela e seu coração frágil, seus grandes sonhos ofuscados, e essa sua transição, que tarda, mas um dia vai acabar. Afinal, toda borboleta tem seus dias de lagarta, pura metamorfose.

Um comentário:

  1. Anônimo13.3.12

    ok mari, mas estah faltando a conclusao

    ResponderExcluir

O que achou do post?

GAROTA DA BOSSA
ALL RIGHTS RESERVED 2014 ©
feito por Madu Negrini