11/03/2012

You only live once


E nessa distancia toda, você nem sabe, mas o sentimento de amizade e de carinho que tenho por ti transcende qualquer barreira. E se me pego sorrindo, lembrando das coisas boas que passei antes de me mudar, só não me faltam lembranças suas. Minha amiga, minha irmã. Foi com você que eu tive meus momentos mais aloprados, como guerra de bis na sala de aula, comer pó de café puro com um pouco de água morna e ainda colocar bombom de morango dentro pra coisa ficar mais nojentinha, enquanto a gente estudava pra bendita prova de matemática, de um professor que eu detestava, e que tinha uns rebolados forçados, se fingia de gay só pra tentar arrancar alguns sorrisos. Mas na qual eu tinha uma antipatia eterna. Ele e o sei jeitão de professor que baba algumas pessoas e que me ignorava. Ah, mas foi com essas viradas de noite, sorrindo, tomando cafeína pura com bombom de morango que eu consegui tirar um 10 e mostrar o pra aquele professor o quanto mereço ser, também, tratada com atenção. Eu lembro que a amizade cresceu muito rápido, que além de colegas de salas, descobri que você era também minha vizinha de prédio, e daí começou a nossa rotina de voltar juntas pra casa, ouvindo you only live once. Aliás, é impossível eu ouvir essa música e não lembrar de você, e do quanto você ama os strokes e sempre fazia uma listinha de músicas deles, que eu tinha que ouvir, mas que nunca fui atrás nem da metade, embora você não saiba disso. Lembro que fazíamos crisma juntas e que sempre almoçávamos na subway lá perto de casa, todas as sexta-feiras. De você me chamando pra assistir cegos, que era um filme em preto e branco, e mudo, que você amava e a gente acabou dormindo vendo o filme, logicamente. Que a gente ficava dançando just dance no wii com quatro controles, inclusive seu irmão, que pra completar o ciclo vicioso de coincidência na minha vida, descobri que foi meu professor de inglês quando eu tinha 9 anos. Eu lembro que você me apelidou de fufu, que quer dizer, fuleira, só porque eu não pude sair com você uma vez, mas quem, no geral, recusava mais os convites era você. Eu lembro, nos meus dias de novata, a gente estudando geografia e você ensinando de um modo fácil a guerra entre os bonzinhos e os maus. Do nosso caderno de pérolas. Do quanto a gente era apaixonada pelo professor de filosofia e ficava competindo abraços dele nas aulas. Das noites que passamos sem dormir, e inclusive, de quando a gente melou nossa cara de ketchup picante, ao virar a noite preparando uma surpresinha pra Gabi, só pra figurar todo o esforço e sofrimento que tivemos. Eu lembro que no nosso retiro, você queria fazer umas expedições lá na capelinha escura e acabamos achando coisas bizarras realmente. De tudo, você é uma das pessoas que admiro tanto, pelo caráter, personalidade, que aliás, eram bastante conflitantes com as minhas. Seu guarda-roupa alternativo em confronto com o meu todo rosa. O seu jeito todo louco de fazer o que dá na cabeça, em contraposição com aquele meu jeito todo sonhador e responsável. As coisas que você me ensinou sobre a vida, sobre filosofia, sobre pensamentos. Ainda hoje durmo com um travesseiro entre os joelhos pois você foi quem me alertou que assim era bem mais confortável. E falando em dormidas, lembro dos dias que você fugia pra dormir na minha casa com a desculpa que estava estudando, só porque sua mãe te proibiu de dormir a tarde toda. Você, que foi minha vela preferida, que tinha a casa mais assustadora e as atitudes mais loucas, minha amiga. Que amava desenhar e ver circo do soleil. Foi só um ano e meio de convivência, mas o suficiente pra eu ter tantas histórias com você. E hoje, percebo que mudei, aderi um pouco do teu jeito louco e alternativo, e espero que tenha também te ensinado alguma, das poucas coisas que sei. É bom saber que eu sou capaz de mudar seu dia, quando mando umas mensagens lembrando um pouco dessas nossas histórias. Eu quero muito que você seja feliz, que concretize os seus sonhos loucos, e que me carregue em mais algumas (ou muitas) aventuras. Que a gente não se perca entre o tempo, a distância, os contratempos da vida. Que a amizade se sobressaia, recupere, relembre de vez em quando essas lembranças boas da vida, que fazem um bem danado. E que a nossa combinação de pé alienígena, com antena parabólica, não se perca por aqui, que continue a andar por linhas retas, que por serem tão retas, um dia se cruzam novamente. Um grande beijo, da sua amiga, Fufu.

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