22/01/2013

Entre Aspas: O Império do Efêmero


Eu não sei como -exatamente- eu me apaixonei por moda e me interesso por tudo que corresponde a esse universo, mas mesmo assim, vou tentar explicar para vocês. Estou estudando moda por conta (caso vocês não saibam, eu curso Arquitetura), aproveitei as férias para ler (ainda mais!) sobre esse assunto que me interessa um tantinho. Desde pequena, minha primeira paixão ,como ser humano, foram as palavras. Ainda me lembro quando eu comecei a fazer rima na terceira série, eu adorava aquele universo de brincar  com as letras, adorava os sentidos, a multiplicidade das palavras e suas diferentes mensagens. Depois, mesmo preguiçosa, comecei a gostar de ler, e meu primeiro livro foi "O mundo de Sofia", ainda me lembro que pequena, aprendendo a ler, tentava entendê-lo, mas era inútil. Então, assim que eu -finalmente- aprendi mesmo a ler, terminei "O mundo de Sofia". Eu devia ter uns 8 anos, mas aquilo mudou minha vida para sempre, e deixo claro que não estou sendo dramática, mudou mesmo. "Quem sou eu?", "De onde eu vim?", "Para onde vou?", são perguntas que até hoje não consigo responder. Também sou pessoa deveras prática, com exceção na hora que escrevo e falo, que adoro "enrolar" (gosto que as pessoas tentem seguir minha linha de raciocínio), então, logo me interessei pela praticidade de olhar citações, fui conhecendo Nietzsche, Freud, Cora Coralina, o fofinho do Schopenhauer e etc. Inspirada nessas pessoas, fui formando minha própria concepção de mundo, minhas indagações, meus pontos finais. Eu fui começando a ser poeta, amar e odiar a vida, ser alguém hoje, outro amanhã. Eu gostava muito de música brasileira, especialmente dessas bossas novas de quem está sofrendo, ou de quem se encontra muito feliz. Eu me tornei tão exagerada. Cada momento para mim é uma vida inteira. Para mim, nunca tem amanhã, é sempre hoje. Efêmera e eterna em segundos. Enfim, o que isso tem a ver com moda? Eu estava lendo um livro de moda, que citava uma frase de um sociólogo francês que dizia que a moda era o império do efêmero, e isso, a certo modo, me impactou tanto que consegui achar a tal relação que comecei a desenvolver (tempos atrás!) com esse universo. A moda é o espírito do tempo, e pode ser o seu tempo, o seu espírito. É impressionante, é impactante estudar moda porque é muito mais do que um mundo fútil, são as ideologias do mundo estampadas em roupas. É uma época opondo-se a outra. Como distinguir o melhor? Onde ficar? Chanel ou Dior? Andrógino ou feminino, entendem? O que me admira nesses estilistas consagrados é como eles conseguiram formar uma identidade e ditar moda durante um tempo, ou quem sabe, durante todo o tempo. É preciso que se distingua moda e modas, estilo e tendências. É preciso que se forme uma identidade. Moda é mudança. Quantas coisas eu disse que jamais iria usar e me vejo usando? Ela é um reflexo de quem somos, do que pensamos, do que queremos. Na verdade, quando eu me habituei a escrever, ficava indignada porque nada do que eu falava tinha sentido completo, parecia que faltava algo, as entrelinhas. Mas, no modo de me vestir, eu digo o que sou sem medo, em detalhes, em segredos. As palavras mentem, as roupas jamais. É impressionante como em diferentes pessoas, as vestimentas se ajustam de formas opostas. Tal roupa fica divina em alguém, mas péssima em outra pessoa... É assim, é preciso que a roupa capte o nosso sinal e nós o dela, é pura sintonia. Uma menina,  um dia desses, veio me perguntar: "Calça estampada está na moda?", respondi felizmente, "Depende, se você quiser...". O que me agrada nesse universo é essa constante inconstante rotina que ela passa e repassa, é essas inquietações, esse vai e vem, assim como somos todos nós, cheios de medos. Ela reflete a alma, mas muito mais do que isso, ela nos faz iguais ou diferentes dos outros. Não é o preço, nem a marca, nem o material, é a mensagem que se diz com aquilo e que em segundos, pode mudar, assim como a nossa mente. Andar na moda é estar de mãos entrelaçadas com a ousadia e com o novo. Ou você faz, ou você segue. No império do efêmero, entre "nãos" e "sims", eu não encontrei o que sou, não me estabeleci,  mas me consagro, assim, dona do meu próprio reino, me permitindo, todo dia, ser o que calhar, naquele instante, aquele breve instante, que já passará, assim como eu...

Texto da Rayssa Fonseca, que mostra-se ao mundo seja por letras ou por tecidos. Quer saber mais? Aqui está o blog dela.


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2 comentários:

  1. Acho a mesma coisa da moda, e não acho ela nenhuma futilidade. Não gosto de ver os padrões que as meninas seguem, por que isso, nem ao pouco refletem o estilo dela. É triste.
    http://biarori.blogspot.com.br/

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    1. Poise, na minha opinião, tb não acho a moda uma futilidade, toda mulher que se preze tem sim que andar arrumadinha pra se sentir bem, se sentir digna. E seguir o seu próprio estilo, se gosta de moda, que se vista por meio dela mas respeitando suas vontades. Tem coisa que eu não curto, tipo óculos espelhado, que eu jamais usaria porque está na moda.. Enfim, achei esse texto dela lindo lindo!! :))) Obrigada pela visita Bia <333 Beijão!

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