23/04/2013

Entre Aspas: O último ponto



O café tá frio, eu sei. A casa também, logo a xícara ficará vazia e eu vou poder usá-la como espelho. Você também me vê quando termina seu café? Sua xícara tá sempre cheia, sua casa também, e por isso você tem tido tanta insônia. Um café depois do outro, nunca gostei de espelhos, mas peguei sua mania de não querer me ver também! 

Eu sei que entre uma dose e outra sempre fica alguma coisa, e quase sempre é só o gosto doce. É que na xícara cheia do vazio, sempre fica uma gotinha. Não faz essa cara, não to falando do café. É por isso que sempre aposto na última gota. Não quero debater meu filme favorito, se é que ainda tenho algum. É o seu predileto que ainda está enroscado no meu aparelho DVD. Assisti na quarta-feira, já decorei aquela cena, que você vê comigo no sofá, que por sinal não aconteceu.

Desconversa agora, não quero falar sobre os meus textos, ou crônicas como você chamava, e costumavam ser,  há meses não escrevo uma só linha, mas a insônia tem me apresentado enormes roteiros. Shhh, não chame de crônicas, sua distância me obrigou a escrever  contos. Esqueça deles também, estão arrastados,  sem nexo, mas caso escreva, te encontro na primeira linha. 

Então você sorri, e me encara de volta. Não pergunte sobre os meus discos, nossa música continua tocando em cada canto, e em cada conto nosso. Na minha estante ainda tem espaço para o seu livro favorito, e na casa inteira tem um espaço todo seu. Tinha um retrato seu em alguns centímetros do meu mural, rasguei a foto, mas o retrato ficou em alguns centímetros de mim. 

Não fala nada agora, quero conversar contigo em silêncio. Pode franzir a sobrancelha, cerrar os lábios, enrugar a testa, até deixo você usar as mãos pra articular seus grandes gestos, de quem quer sempre abraçar o (meu) mundo. Fica em silêncio, pra eu poder estender essa conversa até quando você não estiver aqui.

Não pergunta sobre minha rotina, tem espaço pra você entre o minuto que passa, e o que vem depois. Ainda desacredito no horóscopo, mas confiro nossos signos todos os dias, te quero na mesma órbita. Continuo de esquerda, mas andei votando em qualquer canto que seja do teu lado. Sorri agora, existe tanta coisa entre um café e outro, mas se você sorrir é sempre a última gota.

Quero decorar suas caras, e você insiste em perguntar sobre os meus dias. Que foram seus. Me vejo nos velhos tempos, e você me pergunta sobre as mudanças. Não sou quem fui ontem, mas só por hoje quero voltar a ser. Foram seus os meus dias, continuo sendo sua eu também.

Não fala nada, continua a ouvir a nossa musica,  que toca em qualquer canto desse conto.

Logo o restante dessa página, ficará vazio de tanta coisa, mas se olhar com calma te servirá de espelho. Você também se vê no fim da linha?

O café chegou ao fim. Pode dizer que acabou, se preferir, pode pedir outro e por bastante açúcar, pede dois! 'Vê mais uma rodada bem doce pra gente.' Com açúcar, e com afeto, pra gente fingir que o tempo não passou, enquanto ele passa. E continua passando sempre.

Eu que não que já não quero me ver, continuo te vendo sempre. Entre uma xícara de café, e uma dose de insônia.

Autora: Tainá Oliveira. leitora do GB e blogueira também!

6 comentários:

  1. Amei o texto. ♥
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  2. Que texto liiindo, amei!

    Beijos
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  3. Que texto perfeito *--*


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